Estar na casa dos 30 é bom. Gosto dessa década que adentrei sem muito pensar e sem muito me lastimar. Estranho é me ver em textos de alguns anos atrás, enquanto fuçava meus arquivos do blog... Revi coisas deliciosamente engraçadas e fiz constatações um tanto intrigantes.
Esse excelentíssimo existe desde 2002 e de lá para cá, poucas coisas mudaram (acredito que minha aparência foi a única coisa que realmente mudou nesses anos!) e quase todas as reclamações ainda são bastante pertinentes. Contudo, meus textos eram mais ácidos, mais doloridos, com um jeitinho meio "nazi-punk-violento" de ser. Meu senso de humor já foi também mais apurado, devido ao fato de escrever mais e visitar mais blogs em meus dias de
dolce far niente. Sinto falta disso... De escrever mais, de ler mais, ser mais astuta, ligeira com os termos e as palavras.
Hoje, olhando para trás e para frente de novo, consigo me enxergar por inteiro. Me vejo como alguém bacana, com idéias interessantes, complexa, meio menino, meio menina (sem ser gay ou emo)... Tenho um gosto diferente (sempre fui diferente dos outros), me visto bem, gosto de boa música, leio, aprendi inglês sozinha, arranho o francês, tenho paixão por outros idiomas (aprendo palavras novas todos os dias e sei cumprimentar alguém em pelo menos 4 línguas), cozinho super bem, não sei ser rude com ninguém, trato a todos com a mesma educação e respeito (até que percam um destes primeiro comigo), tenho uma certa elegância nata, falo palavrões apenas (e somente) em casos de extrema necessidade, sou delicada e dedicada, sobretudo para com aqueles que amo mais que tudo! E mesmo assim, com tantos predicados despencando pilha abaixo, não existe sequer um filho da p
{piiiip]ta para apreciar e dar valor a tudo isso! Meus arquivos me esfregaram na cara! Sem dó ou piedade! Os últimos seis anos da minha vida foram repletos de decepções, infortúnios e buscas perdidas! Tiros na água! Quilos de atenção desperdiçados com pessoas erradas, centenas de carinhos e mimos ensacados e colocados direto na lixeira junto com cascas e restos biodegradáveis, mas não sem antes umas boas pisoteadinhas, para ter certeza que estão bem destroçados! Tudo está lá, registrado e documentado para a eternidade virtual! Desilusões, tristezas e solidão aos maços! *(Consegue ouvir ao fundo um violino e ao longe a voz de Edit Piaf? Hehehe!)*
Aos 30 não é diferente... Continuo passando pelas mesmas desventuras, pelos mesmos desgostos, com a diferença de que hoje eles tem mais idade, mas comportam-se igual ou pior do que em seus tempos de adolescência! Com o agravante de alguns ainda acharem que estão em seus anos de ouro (seria a tal crise de meia idade?). O coração não muda, minha essência ainda é a mesma... Minha busca ainda é a mesma. Vou continuar sofrendo por minha escolhas erradas, é um ciclo sem fim.
Quem sabe não seja a hora de pendurar os coturnos e resignar-me à solteirice convicta? Não sou mais uma menina (tenho 31) e sei mais do que não gosto que há seis anos... A perspectiva não parece boa no entanto. O perfil que busco é um tanto diferente e se analisarmos a faixa etária (de 33 em diante) veremos que é um nicho pequeno a ser explorado. A maioria já terá sido casado, com pelo menos um filho, sem estilo nenhum (graças aos pais dos anos 60 que criaram crianças caretas e, por conseqüência, adultos sem graça!), chatos, egocêntricos, ou que buscam uma outra mãe ou que querem viver eternamente aos 18! Ver o que está a sua espera na selva dos relacionamentos é ou não é de querer cortar os pulsos? Sair correndo arrancando os cabelos e gritando?
O jeito é gastar tudo em chocolate belga e cerveja de trigo, virar algo tão grande que só o Discovery Channel vai se interessar e esquecer das mazelas vida em frente à TV!
Ass:
A Amarga.